PF apura Bolsonaro por vincular Lula a ditador sírio condecorado pelo petista em 2010

Nesta em julho deste ano(2025), a Polícia Civil do Distrito Federal, a pedido do Ministério Público, abriu investigação contra o ex-presidente Jair Bolsonaro por supostamente associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao regime do ditador sírio Bashar al-Assad. A apuração começou após o Ministério da Justiça encaminhar à Polícia Federal denúncia de que Bolsonaro teria compartilhado, por WhatsApp, uma imagem que relaciona Lula ao líder acusado de crimes contra a humanidade.

Em 13 de julho de 2010, Lula, então presidente da República, concedeu a Bashar al-Assad o Grande Colar da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração do Brasil a autoridades estrangeiras. O ato foi oficializado no Decreto de 12 de julho de 2010, publicado no Diário Oficial da União, e contou com a assinatura do ministro das Relações Exteriores da época, Celso Amorim.

A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é tradicionalmente destinada a chefes de Estado e personalidades estrangeiras consideradas relevantes para a diplomacia brasileira. À época, Lula recebeu Assad em Brasília, numa visita oficial voltada a ampliar laços comerciais e políticos entre Brasil e Síria. No entanto, meses depois, o governo sírio se tornaria alvo de duras críticas internacionais.

Bashar al-Assad assumiu o poder em 2000, após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, e manteve um regime autoritário. A partir de 2011, durante a Primavera Árabe, seu governo foi acusado pela ONU e por organizações de direitos humanos de massacres contra civis, uso de armas químicas, torturas sistemáticas e perseguição a minorias, incluindo homossexuais. As ações levaram a milhares de mortes e milhões de refugiados.

Com o avanço da guerra civil, Assad se apoiou militarmente em Rússia e Irã para manter o controle. Embora tenha resistido a tentativas de derrubada, em determinados períodos precisou deixar regiões estratégicas da Síria devido à pressão militar da oposição e do Estado Islâmico. Sua permanência no poder é marcada por denúncias de crimes de guerra e violações graves de direitos humanos.

A investigação contra Bolsonaro, por outro lado, gira em torno de um suposto crime contra a honra de Lula. O ex-presidente, atualmente em prisão domiciliar e proibido de usar redes sociais, nega ter cometido crime. A defesa afirma que a mensagem compartilhada apenas destacou um fato público: a condecoração feita por Lula a Assad em 2010.

Diante desses elementos, a situação levanta questionamentos sobre coerência e critérios políticos. Se, de um lado, Bolsonaro é investigado por citar a ligação de Lula com Assad, de outro, é fato documentado que o atual presidente oficializou uma homenagem ao líder sírio, cuja trajetória é amplamente associada a crimes e abusos. A contradição entre o gesto diplomático de 2010 e as acusações contra Assad expõe a necessidade de debate sobre até que ponto a política externa deve ser avaliada à luz de valores democráticos e de direitos humanos.

Veja o Diário Oficial publicado em 2010:

- Crimes do regime de Bashar al-Assad (2011–2024) e responsabilizações
Categoria Fato/Dados Fonte
Atrocidades documentadas (SNHR)
Mortes extrajudiciais Pelo menos 202.000 civis mortos (incl. >23.000 crianças e 12.000 mulheres). SNHR — snhr.org
Desaparecimentos forçados Cerca de 96.321 casos. SNHR — snhr.org
Mortes por tortura Ao menos 15.102 (incluindo crianças e mulheres). SNHR — snhr.org
Bombas-barrel 81.916 desde jul/2012; >11.000 mortes. SNHR — snhr.org
Armas químicas 217 ataques; 1.514 mortos (214 crianças, 262 mulheres entre civis). SNHR — snhr.org
Munição cluster 252 ataques; 835 vítimas. SNHR — snhr.org
Incendiários 51 ataques contra áreas civis. SNHR — snhr.org
Mortes em massa, desaparecimentos e tortura
Extermínio de civis Responsável por >90% das mortes civis; estimativa total entre 306.000 e ~580.000 mortos (2011–2021). Wikipedia (compilação ONU/ONGs)
Prisão de Sednaya Execuções em massa, tortura, abuso sexual; julgamentos de 1–3 min; >13.000 enforcados nos 5 primeiros anos. Wikipedia (Sednaya Prison)
Repressão inicial (2011) Execuções extrajudiciais, prisões em massa, tortura, cerco de cidades, punições coletivas, bloqueio de serviços (mar–jul/2011). FIDH — fidh.org
- Armas químicas e guerra
Uso sistemático >300 ataques químicos confirmados (2012–2019); ~98% atribuídos ao regime. Wikipedia (ONU, OPCW, HRW)
Ghouta (21/08/2013) 281–1.729 mortos; acusações formais contra Bashar e Maher al-Assad. Wikipedia (Ghouta chemical attack)
Responsabilizações internacionais
Mandado de prisão Justiça francesa mantém mandado internacional (jun/2024) por crimes ligados a 2013. Le Monde
Julgamentos em Paris Casos de tortura (crianças/idosos) e morte da jornalista Marie Colvin, por jurisdição universal. The Guardian
Valas comuns ONU descreve Qutayfah e Najha como “máquinas de extermínio”; ~100.000 torturados/assassinados desde 2013. Reuters
- Fuga de Bashar al-Assad e situação atual (dez/2024)
Eixo Fato/Dados Fonte
Colapso do regime e saída
Queda de Damasco Em 08/12/2024, avanço do HTS toma Damasco; Assad foge. RNZ; News.com.au
Destino Assad e família em Moscou, sob “asilo humanitário”. The Guardian; Reddit (relatos)
Detalhes e controvérsias
Engano aos oficiais Promessa de apoio russo que não chegou; saída sigilosa de Damasco. Relatos em Reddit
Narração da fuga Diz ter sido evacuado após ataques de drones à base russa em Latakia; ordem de retirada imediata. Euronews; Reddit
Versão da imprensa NYPost: afirmou a militares que ajuda viria da Rússia e fugiu; irmão Maher teria escapado ao Iraque. New York Post
Estado atual e especulações
Paradeiro Sem fotos recentes na Rússia; localização exata incerta. The Guardian; outras
Rumores Boatos de tentativa de envenenamento em Moscou (sem confirmação oficial). Relatos em Reddit
Resumo objetivo
Crimes do regime Assad Fuga do país
Assassinatos, desaparecimentos, tortura, armas químicas e bombardeios; prisões como Sednaya; investigações e mandados internacionais. Tomada de Damasco (12/2024), saída clandestina e asilo em Moscou; controvérsia sobre evacuação vs. fuga.

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