Título: Marx, Gramsci e o Estado: o que os textos dizem além da versão acadêmica
Nesta sexta-feira (06/02), após debates com acadêmicos que afirmaram que Karl Marx defendia a abolição do Estado no comunismo, este artigo foi escrito para esclarecer o tema com base nos próprios textos de Marx, Engels e Gramsci, indicando como, onde e quando essas ideias foram formuladas e por que elas entram em choque com a leitura hoje dominante nas universidades.
Se Marx quisesse realmente eliminar o Estado, por que no Manifesto Comunista ele apresenta um conjunto claro de medidas estatais, como impostos progressivos, centralização do crédito, controle de transportes e comunicação? Essas propostas não pressupõem um Estado forte e ativo? É possível executá-las fora de uma estrutura estatal centralizada?
Em Sobre a Questão Judaica, Marx vai ainda mais longe ao defender o Estado laico como forma política moderna. Ao separar Estado e religião, ele não enfraquece o poder estatal, mas o consolida como instância superior da vida pública. Nesse modelo, o indivíduo passa a existir politicamente por meio do Estado, submetendo seus interesses particulares a uma ordem geral. Isso aponta para a redução ou para o fortalecimento do Estado?
A crítica marxiana à sociedade liberal também é clara quanto à iniciativa privada. A propriedade individual e a autonomia econômica são vistas como fontes de desigualdade e alienação. Por isso, a solução proposta não é sua convivência com o novo sistema, mas seu enfraquecimento progressivo, seja por regulação severa, seja por expropriação direta. O chamado “decálogo” do Manifesto expressa exatamente esse caminho. O capitalista é quem está nos topos das pirâmides da iniciativa privada e os latifundiários e os herdeiros que proliferam o que eles chamam de "classe burguesa", que eles alegam ser classe dominante e combatem. Esses são os alvos do comunismo e socialismo !
Gramsci sistematiza essa lógica ao propor a atuação dos chamados intelectuais orgânicos e a criação do Estado Ampliado. Para ele, a tomada do poder não ocorre apenas no governo, mas na cultura, na educação, na imprensa e nas instituições sociais. Quando a sociedade civil passa a operar como extensão do poder político, estamos diante de um Estado menor ou de um Estado mais abrangente?
Essa estratégia revela um projeto de fortalecimento do Estado em todas as esferas da vida social, enquanto a iniciativa privada é gradualmente sufocada ou absorvida. A promessa de um futuro enfraquecimento estatal permanece distante, enquanto o presente exige centralização, controle e direção política contínua.
Diante disso, a pergunta se impõe: é correto afirmar que o marxismo pretende abolir o Estado, ou seria mais fiel aos textos reconhecer que ele busca construir um Estado forte, amplo e dominante como meio de transformação social? Uma leitura crítica e conservadora não fecha o debate, mas exige honestidade intelectual ao confrontar o que está escrito com o que é ensinado hoje nas universidades.
Como os estudos dominantes de classes academicas afirmam que o comunismo pretende abolir o Estado ? Na verdade, eles podem ser, realmente, os analfabetos funcionais[...].

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