Estudo sociológico e dados do IBGE revelam que a busca por microempreendedorismo e a religiosidade popular colidem com as teses de estatização e confisco patrimonial.
Estamos documentando, nesta segunda-feira (3), em novos balanços sobre a dinâmica socioeconômica do país, um descompasso estrutural entre os postulados teóricos do marxismo e as aspirações materiais e espirituais dos trabalhadores da iniciativa privada, autônomos e microempreendedores das periferias brasileiras. A análise aponta que a busca por autonomia econômica e a adesão a valores judaico-cristãos na base social entram em rota de colisão direta com os dogmas de estatização, abolição da propriedade privada e materialismo histórico ateísta sustentados pela práxis socialista, explicando a reconfiguração do eleitorado periférico no cenário nacional.
Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE, o Brasil registra atualmente cerca de 39 milhões de trabalhadores informais e um número recorde de Microempreendedores Individuais (MEIs). O levantamento indica que essa parcela expressiva da população busca no microempreendedorismo e no trabalho por conta própria a garantia de sustentabilidade da renda familiar — dinâmica que remonta ao conceito de oikonomia formulado por Aristóteles em A Política, caracterizado pela administração e preservação natural dos bens do lar. Em contraposição, analistas destacam que a literatura marxista tradicional tende a enquadrar o pequeno empreendedor e o trabalhador autônomo na categoria de "pequena burguesia" a ser absorvida pelo controle estatal ou como elemento reacionário.
Essa divergência teórica ganha contornos pragmáticos no debate sobre tributação e patrimônio. No Capítulo II do Manifesto do Partido Comunista, Karl Marx e Friedrich Engels estabelecem expressamente a implantação de um "forte imposto progressivo" e a "abolição do direito de herança" como medidas centrais para a centralização estatal. Críticos das teorias coletivistas, fundamentados nas análises sobre a burocracia estatal desenvolvidas por autores como Olavo de Carvalho, sustentam que a eliminação da propriedade privada e da herança não extingue o poder econômico, mas transfere o monopólio dos bens e das decisões diretamente para os quadros burocráticos do Estado — a chamada nomenklatura —, inviabilizando a transmissão intergeracional do fruto do trabalho das famílias de menor renda.
O estudo analisa ainda as transformações táticas da militância sob a ótica das formulações apresentadas nos Cadernos do Cárcere, de Antonio Gramsci. Conforme o conceito gramsciano de "Guerra de Posição", a disputa pelo poder político nas sociedades ocidentais deslocou-se do confronto econômico direto para a ocupação de espaços na cultura e na sociedade civil. Diante da resistência do trabalhador da iniciativa privada e autônomo ao modelo de estatização, analistas observam que vertentes neomarxistas passaram a substituir a centralidade da pauta econômica pelas dinâmicas identitárias, buscando alterar o senso comum e obter hegemonia cultural sem explicitar suas diretrizes históricas de controle estatal.
No campo religioso, os levantamentos demográficos revelam outro ponto de atrito. Dados de institutos de pesquisa como o Datafolha indicam que a população evangélica já representa aproximadamente um terço dos brasileiros, apresentando maioria expressiva nas classes C, D e E, ao lado de uma tradicional base católica. Enquanto o materialismo histórico-dialético define a religião como forma de alienação social, as redes comunitárias das periferias utilizam as instituições religiosas como centros de apoio social, recuperação de dependentes e difusão de uma ética de responsabilidade pessoal e trabalho. O declínio de correntes como a Teologia da Libertação é atribuído por pesquisadores à tentativa de substituir o caráter transcendente da fé por uma agenda estritamente político-materialista.
ESTUDOS IBGE SOBRE RELIGIAO AQUI.
ESTUDOS PNAB CONTINUA IBGE AQUI


Postar um comentário