EUA alertam para redes chinesas que lavam dinheiro de cartéis mexicanos

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, por meio da Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN), emitiu nesta quinta-feira (28/08) um alerta sobre o uso de redes chinesas de lavagem de dinheiro por cartéis mexicanos, incluindo o Cartel de Sinaloa, o Cartel de Jalisco Nova Geração (CJNG) e o Cartel do Golfo. O documento detalha como essas organizações criminosas se associam para movimentar bilhões de dólares ilícitos dentro e fora dos EUA.

Segundo o relatório, as chamadas CMLNs (Chinese Money Laundering Networks) operam como lavadores profissionais, assumindo riscos e oferecendo serviços mais baratos que outros grupos criminosos. O modelo de operação inclui sistemas informais de transferência de valor, lavagem de dinheiro baseada em comércio e até o uso de criptomoedas, dificultando a ação das autoridades.

O Tesouro destaca que as CMLNs criaram uma relação de dependência mútua com os cartéis mexicanos. Enquanto os cartéis precisam lavar grandes quantias em dólares obtidos do tráfico de drogas, cidadãos chineses procuram esses dólares para escapar dos rígidos controles cambiais da República Popular da China. Essa troca cria um ciclo que fortalece ambos os grupos.

Entre os métodos utilizados, estão as chamadas “transações espelho”, nas quais valores em dólares são trocados quase instantaneamente por pesos mexicanos, evitando a necessidade de transportar dinheiro em espécie. Além disso, estudantes chineses nos EUA têm sido recrutados como “mulas de dinheiro”, muitas vezes sem plena consciência de que participam de um esquema criminoso.

As redes também compram bens de luxo, imóveis e eletrônicos como forma de legitimar recursos ilícitos. Em alguns casos, empresas de fachada são usadas para revender mercadorias ou exportá-las para China, México e Emirados Árabes Unidos. O relatório cita ainda o envolvimento de CMLNs em atividades paralelas como tráfico humano, fraudes em saúde e jogos ilegais.

O FinCEN listou sinais de alerta para que instituições financeiras possam identificar transações suspeitas. Entre eles estão clientes com riqueza incompatível com a renda declarada, uso de passaportes falsos, depósitos estruturados em pequenas quantias e compras frequentes de bens de luxo sem justificativa. O objetivo é reforçar a vigilância bancária diante da crescente infiltração dessas redes.

O documento conclui que a cooperação entre cartéis mexicanos e redes chinesas de lavagem de dinheiro representa uma das maiores ameaças ao sistema financeiro dos Estados Unidos. O Tesouro determinou que as instituições financeiras reportem movimentações suspeitas diretamente ao FinCEN, utilizando a referência “CMLN-2025-A003”, para ampliar a capacidade de combate a esse esquema internacional que mina a segurança econômica e a estabilidade da região.

1 Comentários

  1. O alerta do Tesouro dos EUA sobre a cooperação entre cartéis mexicanos e redes chinesas de lavagem de dinheiro evidencia a crescente complexidade do crime organizado transnacional. O uso de criptomoedas, transações espelho e empresas de fachada mostra como esses grupos exploram brechas regulatórias e estruturais tanto no Ocidente quanto na China. Trata-se de um desafio que ultrapassa a esfera policial, pois afeta a estabilidade financeira internacional e exige coordenação entre governos para conter uma rede ilícita que fortalece economias paralelas e mina a confiança no sistema financeiro global.

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