Nesta terça-feira (26/08), o ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, publicou em sua conta oficial no Twitter duras críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acusando-o de antissemita e de apoiar o grupo terrorista Hamas. A declaração marca um novo capítulo na crise diplomática entre os dois países, que já se agravava após o Brasil recusar a indicação de um embaixador israelense para Brasília.
O estopim ocorreu após o governo brasileiro retirar o país da IHRA, organismo internacional criado para combater o antissemitismo. Katz afirmou que a medida colocou o Brasil ao lado de regimes como o Irã, que nega o Holocausto e ameaça a existência de Israel. A decisão brasileira foi interpretada em Tel Aviv como um alinhamento ideológico com ditaduras islâmicas e movimentos radicais.
A crise, no entanto, não começou agora. Desde o início da guerra contra o Hamas, Lula fez declarações comparando a ação de Israel a práticas nazistas, o que foi considerado ofensivo pelo governo israelense. Em resposta, as relações diplomáticas passaram a sofrer desgaste progressivo, culminando no atual rebaixamento.
Outro ponto central foi a recusa do Itamaraty em responder à indicação do embaixador israelense Galidagan para atuar em Brasília. Sem essa representação, brasileiros que desejam viajar a Israel podem enfrentar dificuldades na obtenção de vistos, assim como israelenses que pretendam visitar o Brasil. O impasse tem impacto direto em igrejas e cidadãos que costumam realizar peregrinações religiosas.
Além das consequências diplomáticas, especialistas apontam riscos econômicos e políticos. O Brasil perde espaço de diálogo em acordos estratégicos e se afasta de um aliado histórico no Oriente Médio. Para críticos, essa aproximação com regimes autoritários reforça a ligação de Lula com projetos de caráter revolucionário e com o Foro de São Paulo, que mantém diálogo próximo a ditaduras da região.
A situação levanta também questionamentos jurídicos. A Lei 1079/50, que trata dos crimes de responsabilidade, prevê como infração presidencial a prática de atos de hostilidade contra nação estrangeira, expondo o Brasil ao risco de conflito. Parlamentares da oposição têm sido cobrados por setores conservadores a agir diante do agravamento da crise.
Ao encerrar sua mensagem no Twitter, Israel Katz deixou claro o tom de rompimento:
“Quando o presidente do Brasil, Lula, desrespeitou a memória do Holocausto durante meu mandato como Ministro das Relações Exteriores, declarei-o persona non grata em Israel até que pedisse desculpas.
Agora ele revelou sua verdadeira face como antissemita declarado e apoiador do Hamas ao retirar o Brasil da IHRA – o organismo internacional criado para combater o antissemitismo e o ódio contra Israel – colocando o país ao lado de regimes como o Irã, que nega abertamente o Holocausto e ameaça destruir o Estado de Israel.
Como Ministro da Defesa de Israel, afirmo: saberemos nos defender contra o eixo do mal do islamismo radical, mesmo sem a ajuda de Lula e seus aliados.
Vergonha para o maravilhoso povo brasileiro e para os muitos amigos de Israel no Brasil que este seja o seu presidente. Dias melhores ainda virão para a relação entre nossos países.”
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